Segunda-feira, Novembro 02, 2009

Os ciclos da minha vida

Pela primeira vez na vida assinei um aviso prévio. Está certo que é uma situação diferenciada. Não fui demitida. A empresa foi vendida e todos os funcionários assinaram a carta de demissão, com a promessa que seremos recontratados imediatamente pela nova firma que comprou o jornal. É bem mais tranquilizador do que uma demissão sumária.
Mas essa mudança toda na empresa me fez refletir ainda mais nos ciclos da vida. Gosto muito de observar que vivemos nestes ciclos, que há histórias e situações que de tempos em tempos se repetem. Me explico:
Há 15 anos, na Primavera, eu entrei nesta empresa. No mesmo dia, eu sai da casa dos meus pais e fui morar com meu namorado. Demoramos muito para falar que estávamos casados, mas, na prática, era isso: havíamos casado, sem assinar papéis, sem festa, vestido branco ou champanhe.
Agora, de novo na Primavera, quando eu me preparo para mudar de novo de casa e também mudar o meu estado civil, voltar a ser solteira, a vida me surpreende com uma mudança no jornal. Vou trocar de chefe, começar a trabalhar numa outra empresa, mas com a diferença de que não sairei na minha baia.
É coincidência? Eu acho que não. São os mesmos tipos de mudanças, na mesma época, com a mesma importância.
Para mim, são os ciclos da minha vida, mais do que se repetindo, se renovando.
Meu desafio é melhorar a cada ciclo, fazer melhor cada etapa.
E eu acho, tenho certeza, estou conseguindo.
;-)

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

Thank You

Foi a primeira música que escutei na mannhã dublada de hoje. Thank You
Achei que foi um presente da vida. Sorri sozinha.
Entrei no carro, liguei o rádio e lá estava ela, dizendo nos seus acordes "seja feliz", ou fique bem, mesmo com problemas. Sempre tem algo ou alguém para lembrar e te deixar bem.
A letra da música diz bem isso... o dia pode estar cinza, o chá esfria, a cabeça dói, mas eu só quero agradecer por você existir. E me dar um ótimo dia.
Essa música tem o dom de transformar o meu estado de espírito. Não é a primeira vez que isso ocorre. Ela me eleva.

E agradecer à vida por isso é só uma obrigação.
Então, I want do thank you....

:-)

Segunda-feira, Outubro 26, 2009

Fazendo as malas

Uma a uma, ela vai colocando as minhas coisas na mala.
Ela gosta desta tarefa... arrumar as malas da mãe.
Ela enrola as camisetas para mais peças se encaixarem na mala.
Me avisa que os cintos não ficam enroladinhos e que ocupam muito espaço.
Conta que colocorá as meias nas bolsas laterais.
São tantas coisas que duas malas não dão.
Teremos que levar em mais de uma etapa.
Por enquanto, deixo as coisas do cabine em outro armário.
Por enquanto, os sapatos vão ficar em sacolas e as blusas de lã em caixas.
No ap, casa nova, o espaço para as minhas roupas ainda não está pronto.
Mas, na casa velha, elas já precisam deixar o espaço aberto para quem é de direito.
A fase negra já passou, eu penso. E como essa sensação é boa.
Eu vou embora daqui a pouco com a consciência leve.
Há um ano isso parecia impossível, inatingivel.
Mas agora está tão próximo, uma questão de dias, horas.
E o que levo comigo é como uma sensação do dever cumprido.
Até a tristeza que poderia surgir em meu coração por causa da tristeza alheia não consegue se instalar.
Eu estou realmente feliz. E satisfeita com o desfecho de tudo isso.
Hoje, no ap, eu quis que ele também se sentisse feliz.
Vai tudo ficar bem, você vai ver, eu disse... nós somos irmãos.
E ele falou em estar conformado, tudo bem...
Achei boa a resposta, que reforça ainda mais a minha certeza e libera ainda mais a minha trilha.
É porque acredito que quem ama não se conforma.
;-)

Terça-feira, Outubro 20, 2009

Falando a mesma língua

- Mãe, eu quero saber uma coisa.
- Fala, Bia.
- Você e o meu pai não namoram mais, vão se separar, morar em casas diferentes, certo?
- Certo.
- Então, por que, quando são sobre as minhas coisas, vocês dois têm sempre que concordar com tudo?
.........rs, rs, rs......

Sexta-feira, Outubro 02, 2009

Tá combinado

Vou fazer uma festa de aniversário de 50 anos no Rio, durante a Olimpíadas 2016...
Sete anos dá bem pra organizar um festão..he, he.

Terça-feira, Setembro 29, 2009

Louca semana

Minha semana passada terminou só ontem. Foi uma semana que começou triste, eu cansada. Depois, duas pessoas queridas doentes, à beira da morte, um desmaio, uma explosão, duas viagens bate e volta. Fazendo as contas, publiquei quatro fotos em uma única edição, rodei dois mil quilômetros em menos de três dias, chorei alguns baldes, trabalhei mais do que o normal, me emocionei muito, mas o saldo foi positivo. Deixo aqui registrado o final desta semana tão louca. A entrevista na  Ana Maria Braga, ontem de manhã.
Um "Eu me amo" de vez em quando não faz mal a ninguém.
:-)

Sexta-feira, Setembro 25, 2009

O dia que o meu bairro explodiu


Foi com o coração na mão que eu cheguei ontem na Rua Américo Guazzelli, exatos três minutos depois da explosão da loja de fogos que levou meio quarteirão aos ares. O estrondo aconteceu na hora que eu  passava de carro pela Uruguaiana, meu caminho diário para o jornal. O som do rádio estava alto e, mais do ouvir o barulho, eu senti um trepidar estranho no carro.
Mas, o que mais me chamou atenção no momento, e que me fez imaginar que aquilo não era fruto da minha imaginação, eram os semblantes das pessoas saindo de suas casas para também ver o que havia acontecido. A expressão era de assombro. Todos olhavam para o céu e várias pessoas começaram a correr em direção à torre de fumaça que se via no céu. Eu nunca tinha visto rostos tão assustados. Era um pânico coletivo.
Eu, na minha curiosidade jornalística, dei meia volta no carro e também fui procurar de onde vinha a fumaça. Abri o vidro e o ar era puro cheiro de pólvora. Alcancei a Firestone e parei na esquina da rua da loja. Alguns policiais já estava lá, tentando evitar que as pessoas se aproximassem. A via estava coberta por uma nuvem de fuligem. O asfalto parecia terra. No fundo, a uns 50 metros, a loja ainda pegava fogo e tinha explosões. Uma Fiorino atravessada da rua estava destruída. Outros carros estacionados também haviam sido atingidos. Os fios de alta tensão estouravam. E eu, que sempre relato tragédias, comecei a tremer.
É que o jornalista geralmente chega o local do acidente com a situação um pouco controlada. Autoridades já isolaram a área e os colegas estão junto. Mas ali, tudo ainda era caos e espanto. Nada estava organizado.  As pessoas, vizinhos, ainda não conseguiam falar. Liguei e pedi ajuda para o jornal. Aquilo era grande demais para um só jornalista. Também liguei para casa e pedi pra o Mauro me levar a máquinas fotográfica. Eu, ali, só podia fazer o meu trabalho.
Vi as primeiras pessoas a serem socorridas. Uma mulher corria desesperada, com pernas e braços sangrando, falando que o filho jovem e o irmão deficiente estavam dentro da segunda casa após a loja. Os policiais foram até o local e retiraram os dois, que só estavam assustados, mas não se feriram. Um de pijama e o outro enrolado em um lençol. A mulher continuou por lá, andando de um lado para outro, completamente desnorteada. Dos paramédicos, ela só queria água. Conversei com ela. Se preparava para tomar banho quando ouviu o barulho. Saiu para ver o que era e foi jogada no chão da calçada.
Em seguida, os policiais trouxeram um casal de idosos, também em choque. O Samu os levou para o hospital. Depois, eu descobri que os dois moram lá há uns 60 anos, criaram seus filhos no local. Uma neta deles, que chegou desesperada buscando notícias, me contou. Tentei acalmá-la, dizendo que tinha visto velhinhos sendo resgatados. E mostrei as fotos para ela, que os reconheceu e me agradeceu, aliviada. Me senti reconfortada. Tinha tranquilizado uma família, pelo menos. Geralmente o jornalista é visto como aquele que quer ver a tragédia. É bom conseguir ajudar alguém nessas situações. Tinha conseguido pelo menos ajudar alguém.
As demais equipes de reportagem só chegaram ao local mais de meia hora depois. Não sei direito o tempo, Lá, tudo parecia demorar muito. Mas, de fato, tudo foi muito rápido. Eu sai de lá às duas da tarde, deixando duas equipes minhas e mais duas a caminho de Santo André. Para o jornal, tinha um ótimo material. Fotos e histórias exclusivas. Para minha vida pessoal, mais um experiência. E mais um pouco para agradecer. Afinal, tive sorte. Por minutos não estava a uma quadra do local, no farol onde várias carros bateram. Por sorte, não tinha feito o caminho que passa na frente da loja, como às vezes faço.
Mesmo satisfeita, fica aqui no peito um pesar, uma tristeza. Afinal, é uma tragédia sem precedentes para nós, daqui da região. Acho que todos acabamos atingidos. Cada um de nós tem uma história daquele canto do bairro, uma memória. São vidas destruídas. Mesmo que a gente não conheça as pessoas pessoalmente. Ali ficará sempre marcado como um lugar de muita dor. Abaixo, os corpos das duas vítimas fatais.